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segunda-feira, 3 de julho de 2017

3 de julho Dia Nacional do Combate ao Racismo

Nesta segunda-feira, dia 3 de julho, é comemorado o Dia Nacional do Combate ao Racismo. O coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros  NEAB da Universidade de Araraquara  Uniara, Edmundo Alves de Oliveira, fala sobre o racismo e a data.

“É um dia para refletirmos. Não gosto muito da palavra ‘combate’, que implica em luta. Penso que a data seja um dia de reflexão sobre o racismo, esteja ele na piada, em ser atendido de maneira diferenciada, de olhar para a pessoa e menosprezá-la. Perceber é algo que só acontece quando você reflete sobre a questão. As coisas se tornam importantes para você quando é levado a refletir”, explica.

Para ele, “não podemos fazer uma análise quantitativa do racismo, mas vemos, ao longo da história, algumas formas de expressões dele”. “Algumas são mais ou menos violentas, jocosas e/ou aceitas. Acredito que estamos entrando em um período em que as configurações sociais estão permitindo questionar esse tipo de racismo brasileiro, que é socialmente aceito a ponto de, muitas vezes, o racista dizer, ‘mas eu não estou sendo racista’. Ele não percebe, e isso é uma questão da cultura racista autoritária que o Brasil tem e não percebe”, relata.

Oliveira afirma que o racismo é uma questão que se deve trabalhar todos os dias, “mas um dia específico para isso acaba, de certa forma, sendo interessante, porque faz com que as pessoas se lembrem da situação”. “Se não for assim, há um combate ‘subterrâneo’, uma discussão que deve ser feita todos os dias, mas não tem um marco para isso. Esses momentos de marco, se analisarmos antropologicamente, diz-se que é preciso haver marcos de passagem, como uma cerimônia de casamento, por exemplo. São assuntos que são lembrados a partir de um marco, onde as pessoas ‘gravam’ a situação a partir dele”, completa.


Sobre as ações afirmativas e as cotas raciais, o coordenador ressalta “que temos ações estatais e governamentais, que há opção política e regras de políticas públicas que estão voltadas para que essas questões sejam, em uma expectativa a longo prazo, minimizadas”. “Os Estados Unidos são uma expressão razoavelmente de sucesso em ações afirmativas e cotas raciais. Isso não eliminou o racismo lá e nem faz com que exista um nível de igualdade, mas você vê expressões de espaços públicos e privados ocupados por negros”, finaliza Oliveira.

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