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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A alfabetização no Brasil


Por  Elizabeth Bettega Castor

Celebrar a alfabetização é demonstrar que o Brasil ainda precisa vencer muitas barreiras no quesito educação. Apenas reduzir o número de analfabetos, não é suficiente diante do grande desafio do ensino básico brasileiro. Investir na educação é garantir que no futuro teremos um país mais próspero, resultando em avanço e crescimento social em todos os setores.

Era isso em que meu querido esposo Belmiro Valverde Jobim Castor acreditava. Ele tinha fé num país com menos desigualdades e confiava plenamente que a educação poderia mudar essa realidade. Foi com esse sentimento de esperança que, há cerca de cinco anos, começamos a pensar em estruturar um projeto social, que deveria ser um modelo de ensino para a sociedade.

A convicção de fazer a diferença para algumas crianças uniu empresários e amigos, que também acreditavam neste sonho e com muito esforço criamos o Centro de Educação João Paulo II, em Piraquara. A escola é um exemplo de que podemos trabalhar em conjunto que, nós, como cidadãos devemos fazer a nossa parte, se esperamos um futuro melhor para o nosso país. Não podemos virar as costas para os problemas sociais, usando a desculpa de que essa obrigação é apenas dos governos.

Desde o início do projeto, nosso ideal sempre foi o de melhorar as condições de ensino das crianças carentes daquela região e que, com muita luta e trabalho árduo, estamos conseguindo fazer. Hoje, com pouco mais de quatros anos de existência, o Centro atende quase 300 crianças e jovens que, certamente, conseguirão ter uma expectativa melhor de futuro.

O caminho para chegarmos a uma sociedade mais justa, que ofereça oportunidades para toda a população, certamente, não está sendo fácil para o Brasil. Assim como não foi para muitos países, hoje desenvolvidos. Mas essas nações superaram os problemas, investindo amplamente em educação e conseguiram diminuir as diferenças sociais, que afetam principalmente a camada mais pobre da população.

Enquanto os mais favorecidos têm acesso a uma boa educação e conseguem, mais tarde, colher frutos de um ensino de qualidade, uma parcela significativa da sociedade brasileira não tem o mesmo privilégio. Porém, a grande verdade é que a educação não deveria ser vista como um privilégio e sim um direito básico, mas não apenas como garantia de um dever do Estado. Nossas crianças merecem receber um ensino que ajude a desenvolver sua personalidade como cidadão, que estimule questionamentos e a produção intelectual e cultural.

O que aprendemos com o João Paulo II é que precisamos estabelecer uma formação diferenciada e integral do aluno, já nos primeiros anos de ensino. Colocar isso em prática, nem sempre é uma tarefa fácil, pois envolve uma série de fatores como capacitação dos profissionais e remuneração adequada. O reconhecimento do professor é de extrema importância para que tenha motivação em enfrentar a dura rotina escolar brasileira.

Exercer a cidadania é ter responsabilidade social e ter consciência de que as crianças precisam aprender esse valor. Talvez esse ainda seja um caminho lento e uma transformação morosa, mas cada um precisa fazer sua parte para que no futuro nossos pequenos possam desenvolver seu papel de vigiar os poderes públicos e reivindicar seus direitos.

Elizabeth Bettega Castor é presidente do Centro de Educação João Paulo II


Fonte: Bem Paraná

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